Um vaga-lume, fazendo piscar sua luzinha ao anoitecer, olhou para o céu e suspirou:
- Ah, que mísera criatura sou, com essa luzinha acende-apaga! Quem dera eu tivesse o brilho faiscante das estrelas!
Mas, lá no céu, comentavam as estrelas:
- Que majestosa é a Lua! Brilha soberana e única, enquanto nós, pequeninas e infinitas, de tantas que somos, nos confundimos, e qualquer fiapo de nuvem apaga nosso brilho. Como seria bom ser a Lua!
Sozinha no seu posto, entretanto, a Lua se lamentava:
- Que injusta a Mãe Natureza! Deu a mim esta luz pálida e mortiça e ao Sol todo o brilho e esplendor! Eu é que merecia ter nascido Sol!
Entretanto, chega a aurora, rompendo as brumas e trazendo o Sol, que suspirou:
- Ai, que dura tarefa a minha! Ter que brilhar o dia inteiro, todos os dias, ser fonte de luz e vida para todas as criaturas! E não posso falhar! Quanto me pesa este fardo! Ah, Natureza injusta! Por que não fui nascer um simples vaga-lume?!
Conto popular encontrado na Grécia, do livro "O Homem que Contava Histórias" de Rosane Pamplona. Machado de Assis tem um poema chamado "Círculo vicioso" que traz esta mesma história.


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