Casa de Causos


O Projeto Casa de Causos, lançou no dia 11 de maio a série audiovisual "Casa de Causos". Em 12 episódios, o projeto é dedicado aos contadores de histórias do Vale do Paraíba.

Em mini documentários, as histórias evidenciam o imaginário popular, com relatos sobre Jacareí, Santa Branca e Paraibuna.

 

Arrugas - um lindo longa metragem de animação sobre a amizade

ARRUGAS es un largometraje de animación basado en el aclamado cómic del mismo título de Paco Roca (Premio Nacional de Cómic 2008). Arrugas narra la amistad entre Emilio y Miguel, dos ancianos recluidos en un geriátrico. Emilio, que acaba de llegar a la residencia en un estado inicial de Alzheimer será ayudado por Miguel y otros compañeros ...



Fonte: http://festivalchilemonos.cl/web2016/peliculas/


Virada Cultural

Hoje, no CEU Quinta do Sol, os contos árabes conversaram com a poesia de Luiz Gonzaga e Patativa do Assará, na narração de histórias "Mil e Uma Noites no Sertão."


A maior flor do mundo e outras histórias


A maior flor do mundo
 
 
 
 
A pequena vendedora de fósforos
 
 
 
 
A casa de pequenos cubos
 
 
 
 O lenhador e a raposa
 
 
 
 The lighthouse
 
 
 
Wei xiao der yu
 
 
 
 Unsung Hero
 

A Festa no céu


Num tempo em que os animais falavam, correu uma notícia entre os bichos de que ia acontecer uma Festa no Céu!
Toda a bicharada ficou animada! Festa!? Oba! Que beleza! E no céu ainda! Ah! Todos queriam ir é claro!
Mas, no meio daquele falatório todo, apareceu um beija-flor com uma novidade:
- Só poderia ir na festa, bicho que soubesse voar!
- O quê? - falou o macaco
- Como assim? - resmungou a raposa
E todos os que não sabiam voar ficaram muito zangados e chateados...
Menos o sapo.
É que o sapo já tinha tido uma bela idéia para conseguir chegar à festa:
O urubu era o músico do pedaço. Não sabia cantar mas tocava uma viola como ninguém!
Pois bem, no dia da festa, o sapo, aproveitando um momento de distração do urubu, entrou pelo buraco e se escondeu dentro da sua viola.
O urubu passou a mão na viola e foi voando pra tão esperada noite!
Chegando lá, colocou a viola num canto e foi cumprimentar os amigos, tomar uma bebida antes de começar a tocar.
Nesta hora o sapo saiu bem de fininho de dentro da viola e foi para o grande salão!
Nossa! Era um lugar como ele nunca havia visto: "tapete de nuvens, paredes de por do sol e céu de madrugada estrelado". Nem podia acreditar no que seus olhos viam.
Quando recuperou o fôlego, saiu pulando e dançando.
A surpresa foi geral. Como é que o sapo, bicho feio e sem asas, tinha conseguido chegar ali?
Sabe o que ele respondia?
- Voando... e dava risada.
Depois de muito dançar, cantar, comer, beber, gargalhar, os animais foram ficando cansados e aos poucos começaram a ir embora.
O sapo achou que estava na hora de se esconder de novo para voltar para a terra.
Discretamente, sem que ninguém visse, entrou novamente no buraco da viola e ali ficou, bem quietinho.
O urubu foi um dos últimos a sair. Tinha comido bastante e estava se sentindo bem pesado.
Mas no meio da caminho, achou que aquele peso estava exagerado. Ficou cismado.
Começou a cantarolar uma música. O sapo, distraiu-se e começou a dançar!
O urubu imediatamente percebeu o movimento do sapo! Olhou pelo buraco da viola e viu ali, o sapo, fazendo ele de burro de carga. Ficou louco de raiva! Olhou lá dentro da viola e disse:
- Ah! Então foi assim que você veio para a Festa no Céu? Me fazendo carregar todo este peso! Você me paga. Daqui você não passa!
E virou a viola de cabeça para baixo!
O sapo foi caindo, caindo, caindo...
Ainda tentou gritar:
"- Pedra sai de baixo, se não e te esborracho!"
Mas a pedra não saiu. E o sapo, se espatifou todinho.
Depois, os bichos da terra ficaram com pena dele. Recolheram todos os seus pedacinhos e remendaram.
Dizem que é por isso que o sapo tem a pele toda costurada até hoje!


Esta é uma das histórias mais populares do Brasil. Aqui coloquei uma das versões que meu pai me contava quando criança e eu adorava! Achava o sapo muito esperto se escondendo dentro do violão! Para enriquecer o texto, acrescentei algumas frases de livros que li, como uma versão de Ana Maria Machado, maravilhosa, em Histórias a Brasileira, que estão entre aspas. Existem versões com tartaruga ou o jabuti no lugar do sapo, outras em que é Nossa Senhora quem cola os pedacinhos...

Um vaga-lume, fazendo piscar sua luzinha ao anoitecer, olhou para o céu e suspirou:
- Ah, que mísera criatura sou, com essa luzinha acende-apaga! Quem dera eu tivesse o brilho faiscante das estrelas!
Mas, lá no céu, comentavam as estrelas:
- Que majestosa é a Lua! Brilha soberana e única, enquanto nós, pequeninas e infinitas, de tantas que somos, nos confundimos, e qualquer fiapo de nuvem apaga nosso brilho. Como seria bom ser a Lua!
Sozinha no seu posto, entretanto, a Lua se lamentava:
- Que injusta a Mãe Natureza! Deu a mim esta luz pálida e mortiça e ao Sol todo o brilho e esplendor! Eu é que merecia ter nascido Sol!
Entretanto, chega a aurora, rompendo as brumas e trazendo o Sol, que suspirou:
- Ai, que dura tarefa a minha! Ter que brilhar o dia inteiro, todos os dias, ser fonte de luz e vida para todas as criaturas! E não posso falhar! Quanto me pesa este fardo! Ah, Natureza injusta! Por que não fui nascer um simples vaga-lume?!
Conto popular encontrado na Grécia, do livro "O Homem que Contava Histórias" de Rosane Pamplona. Machado de Assis tem um poema chamado "Círculo vicioso" que traz esta mesma história.


O macaco que foi pedir sabedoria a Deus

O Macaco foi até onde estava Deus para Lhe pedir sabedoria.

Deus o recebeu, ouviu sua solicitação, mas em troca pediu que o bicho Lhe trouxesse uma xícara de leite de onça e três ovos de jacaré.

O macaco aceitou a proposta e foi para a mata esperar a melhor oportunidade de passar a perna na onça.

Quando a bicha se aproximou, ele trepou numa árvore e começou a tirar cipó. Cismada com aquilo, a onça lhe perguntou:

- Ô, amigo macaco, por que você está tirando tanto cipó?

- Então a amiga onça não sabe? Está vindo uma grande tempestade de vento, e quem não se amarrar bem forte será jogado no mar.

A onça, então, morta de medo, implorou:

- Já que o amigo é mais jeitoso, deve me amarrar numa árvore e depois se amarrar noutra.

O macaco mandou a onça levantar as patas dianteiras e amarrou com tanta força que ela mal se mexia. Em seguida, amarrou as traseiras e, sem que ela reagisse, ele tirou uma xícara de leite. Para terminar, mamou até se fartar e ainda deu uma surra na onça antes de ir embora.

Em cima da árvore, observando tudo, estava um sonhim. Assim que o macaco saiu, ele desceu e mamou na onça também. A onça ficou muito envergonhada por ter caido naquela armadilha.

Agora só faltava o macaco conseguir os ovos de jacaré. E lá foi ele, disposto, em direção ao rio, onde encontrou um jacaré chocando os ovos. O macaco, depois de cumprimentá-lo, disse:

- Amigo jacaré, embaixo da ponte está havendo uma festa de cabrito. Você não vai?

O jacaré se jogou na água e foi em busca da tal festa. Enquanto isso, o macaco apanhou três ovos e a xícara e foi à procura de Deus para entregar os presentes e receber , em troca, a sabedoria. Mas Deus, vendo o macaco chegar, foi logo dizendo:

- Macaco, não posso lhe dar sabedoria, pois você já é sabido demais!

Cassiano Fonseca (Maroto) - Igaporã, Bahia

Livro: Contos Folclóricos Brasileiros - autor: Marco Haurélio
Neste livro você encontra muitas outras histórias recolhidas pelo autor, que trazem o encantamento do nosso universo de contos. Confira!


Um presente para o rei

Era uma vez, um rei muito temperamental e insatisfeito.

Possuía muitas riquezas e tinha como rainha uma bela esposa que o amava de verdade.
Mas, mesmo nos dias mais ensolarados e belos, ele se quedava triste ou aborrecido.
Irritava-se por pouco, até mesmo com o grito de uma ave ou uma nuvem mais escura no céu.
Os mais belos presentes, de todas as partes do mundo eram trazidos a ele, mas nenhum deles o alegrava.
Artistas de todas as artes como mímicos, palhaços, dançarinos e poetas eram convidados para entretê-lo, mas nada o satisfazia.
Ninguém no reino sabia o que fazer para agrada-lo.
Era muito raro, mas acontecia: algumas manhãs ele acordava se sentindo bem, disposto e alegre, mas logo este estado de ânimo desaparecia, e o rei voltava a cair na mais profunda melancolia.
Assim, o que mais ele desejava era algo que o fizesse feliz ou em paz para sempre. Como fixar aqueles poucos momentos de felicidade que às vezes sentia, de modo que nunca passassem?
O rei então juntou seus três conselheiros e lhes ordenou que pensassem em um presente que o fizesse feliz para sempre. E deu o prazo de sete dias para que chegassem a uma solução.
Não era fácil. Porque o soberano tinha não só tudo o que o dinheiro pode comprar, como também era abençoado com coisas que o dinheiro não compra, como o amor de sua esposa e o respeito de seus súditos.
O tempo estava se esgotando e, não tendo ideia nenhuma, os conselheiros decidiram procurar, às escondidas, um sábio com fama de louco, que morava numa cabana nas cercanias do reino.
Poderia um homem tão pobre, de vida tão simples, ser capaz de resolver este enigma tão complicado? - perguntavam-se uns aos outros.
Mas eles estavam desesperados, por isso, secretamente, foram até a casa simples do sábio, nas montanhas.
- A solução é muito fácil - sorriu o sábio.
Então ele sugeriu que fosse feito um anel para o rei. Deveria ser um anel comum, sem pedraria ou outro ornamento, exceto uma frase gravada: "Isto também passará"
O rei deveria usá-lo sempre. E olharia para o anel, na alegria ou na dor.
Conta-se que depois daquele presente, o rei nunca mais foi o mesmo e viveu vida longa e em paz.
Sempre que estava muito feliz ou muito triste olhava para o anel e lembrava-se da frase mágica:
"Isto também passará"

Este é um conto dito "conto de sabedoria" da tradição sufi. Os sufis eram pessoas que, influenciadas por diversas religiões, criaram entre os séculos IX e XII na India e na Pérsia, uma corrente espiritual chamada sufismo, marcada pelo uso de dança e música para o contato com a divindade, que seria a própria natureza. Esta definição bem como uma versão da história acima  você pode encontrar no livro Histórias de quem conta histórias, da Cortez Editora.



Dançando com o morto

Era uma vez uma mulher que tinha ficado viúva há alguns meses.

E tinha achado até bom, porque já não estava lá muito contente com aquele marido.
Um dia, arrumando a casa, ela encontrou um montão de notas de dinheiro que o falecido havia escondido debaixo do colchão em segredo.
- Ah, desgraçaaado! Cheio do dinheiro e nós nessa pindaíba!
Depois da raiva, ficou foi feliz da vida. Levou todo o dinheiro para a mesa da cozinha, chamou o filho e os dois começaram a contar juntos as notas quando, de repente, adivinhe só quem apareceu?
O falecido em pessoa!
Sim, ele mesmo, o marido, morto. E veio sentar-se à mesa com eles.
Mas... a mulher ... não se intimidou não:
- O que é que você está fazendo aqui, seu miserável?! Me dá paz! Você está morto! Trate de volta logo para debaixo da terra.
- Nem pensar - disse o morto. - Estou me sentindo vivinho.
A mulher mandou o filho buscar um espelho. Entregou ao morto para que ele visse a sua cara de cadáver.
- É... Estou abatido. Deve ser falta de exercício - disse o falecido.E mandou o filho buscar a sanfona, e convidou a mulher para dançar. Ela, é claro, não quis saber de dançar com o defunto, que cheirava pior que gambá
O morto nem ligou. Começou a dançar sozinho. de repente a mulher viu que um dedo dele estava caindo, e ordenou:
- Toca mais rápido, menino!
Assim que o ritmo se acelerou, caiu outro pedaço.
- Mais depressa, que eu também vou dançar - ela resolveu.
E começou a requebrar e saltar e jogar a perna para o alto e balançar a saia.
O marido, animado, tratava de acompanhar as piruetas da mulher, e enquanto isso o corpo dele... desmoronava.
Até que só ficou a caveira pulando no chão, batendo o queixo. A mulher caprichou e deu uma pirueta, a caveira imitou e... o queixo desmontou. Pronto.Mais que depressa, a mulher mandou o filho buscar um baú para guardar os pedaços do marido e disse:

- Põe tudo que é dele, filho. Tudinho. Que eu vou procurar uns pregos e um martelo

Dali a pouco ela voltou e caprichou nas marteladas, para que o morto nunca mais escapulisse.
Enterraram o defunto de novo. Depois jogaram bastante cimento em cima.
no dia seguinte a viúva lembrou do dinheiro do marido, que ela tinha deixado em cima da mesa.
- Cadê?! - perguntou ao filho
 - Uai, mãe! Não era pra guardar no baú TUDO que fosse dele?

Este é um conto popular brasileiro. Esta versão é de Angela Lago, no livro Sete Histórias para sacudir o esqueleto, da Cia das Letrinhas.


O Jabuti e a Onça

 
As crianças nos ensinam a contar histórias. Vejam a expressão no rosto, o movimento do corpo. Percebam como ela está "vendo" o que fala! Depois que crescemos, fazemos cursos para aprender a contar histórias, ou seria "reaprender"?

Projeto Histórias em Movimento no Jd. Peri

     Neste sábado estivemos na praça do Jardim Peri Alto dando continuidade ao nosso projeto de levar histórias, brincadeiras e livros para as crianças que ali moram.
A novidade foi uma feira de troca de livros, que organizamos para estimular esta prática. Teve adesão total, todos encontraram um livro que gostariam de trocar.

Brincadeira nova


            Brincadeira antiga que eles aprenderam conosco e agora se aproriaram - Macaco na roda


                                                                       Uma história...


                             E depois, o momento mais gostoso, quando a gente ouve: "Conta mais uma!?"



      

             E o colo vira aconchego...





E os livros ali para quem quiser. E eles querem!

A praça

Após quase dois anos fazendo o trabalho com as crianças do Jardim Peri em uma praça abandonada,  lutando contra as péssimas condições do local, finalmente o espaço está sendo reformado pela subprefeitura, atendendo nossos pedidos e com certeza de muitas outras pessoas que ali vivem!
Já vislumbramos a possibilidade de ampliação do projeto após esta melhoria!

E a nossa pequena contadora de histórias já está no caminho...


               A praça tinha virado um estacionamento de carro, agora limpa.

                    O lixo foi removido

                      E enquanto isso, nós fazemos o trabalho num cantinho que sobrou:




       E os livros continuam encantando.

Encantar com histórias e livros

Amigos e leitores,

Quando começamos este trabalho com as crianças desta comunidade, tínhamos um grande sonho que era despertar o interesse e o gosto pela literatura.
Agora, passado um ano e meio de encontros, este vídeo não deixa dúvidas de que estão ficando apaixonados pelos livros!
Tem também o Gabriel, que está aprendendo a ler e quis fazer uma leitura para nos mostrar, com grande alegria!
Agradecemos a Editora Pulo do Gato pelo apoio recebido e recomendamos que conheçam seu catálogo!
 
 
 
Boas Histórias!
 

 

Uma lenda Maya

Os Jaguares do amanhecer e os jaguares do anoitecer

Contam os antigos mayas que há muito tempo, quando o mundo era novo, os jaguares de K´in Ich Ahau, o "Pai Sol", se devoraram uns aos outros.
Os jaguares do amanhecer viviam no Oriente, que é onde nasce o "Pai Sol", e eram muito ferozes. Os jaguares do anoitecer eram mais numerosos e viviam no Poente, que é onde o "Pai Sol" se põe. Todos eram verdadeiramente grandes; eram enormes os jaguares.
Os jaguares do amanhecer não queriam ver os jaguares do anoitecer no céu por isso lutaram contra eles, pata a pata, cabeça a cabeça, garra a garra, dente a dente.
Se mataram uns aos outros na selva e na metade do caminho entre suas casas. Os jaguares do amanhecer esperaram os outros para enfrenta-los, não se importando que fossem mais numerosos. Conforme iam chegando, os matavam.
Foi assim que os jaguares do amanhecer venceram os jaguares do anoitecer. Por isso, quando K´in Ich Ahau aparece no Oriente e quando se esconde no Poente, o céu se tinge de vermelho com o sangue dos jaguares.
 
Lenda dos Mayas Lacandones - México